A Lei do Deserto

O Dr. Harold C. Mason escreveu: “O homem foi feito para habitar num jardim, mas, pelo pecado, foi forçado a habitar num campo, campo que ele arrancou de seus inimigos com suor e lágrimas, e que preserva só à custa de vigilância constante e labuta sem fim. Basta afrouxar os seus esforços durante algum tempo, e o deserto reclamará seu campo outra vez. O mato e a floresta tragarão os seus labores, e todo o seu amoroso cuidado terá sido em vão.”

Todo lavrador conhece, na prática, a lei do deserto: aquela fome com que um solo é invadido pelo mato, pelas ervas daninhas, pela desolação, se deixado à sua própria sorte. Não importa quão preparada e cultivada seja a terra, quão bem cercada, quão ornamentados os edifícios. Basta que o proprietário negligencie por um pouco a sua preciosa gleba, e tudo se transforma novamente e volta ao estado agreste e selvagem. A propensão da Natureza é para o deserto, nunca para o jardim ou a lavoura produtiva.

Desde que o pecado entrou no mundo, a lei do deserto afetou toda a criação, desde o homem até os animais, os vegetais, e tudo o mais. Tanto o reino físico como o reino espiritual. Um solo cultivado, ou um coração sensível, abandonados a si mesmos, voltam invariavelmente ao estado de degradação. Para que a terra viceje e a plantação floresça e produza frutos, quanto trabalho, zelo, cuidado é necessário! Mas para que ela volte ao seu estado de caos e devastação não é preciso fazer nada, é só deixá-la abandonada. Com respeito ao reino moral e espiritual é o mesmo. Diz o apóstolo: “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser” (Rom. 8:7). Escreveu Ellen White:”Os espinhos do pecado crescem em qualquer terreno; não precisam de cultivo especial; mais a graça deve ser cultivada cuidadosamente.” – Parábola de Jesus, pág. 50.

O segredo, pois, da terra que produz, do jardim que floresce, ou do coração crente, é o cultivo cuidadoso, perseverante, incansável. Alguns pensam que aceitando a Jesus, tornando-se membros da igreja, seu problema estará resolvido para sempre. Não é esse o principio do reino de deus. O início é, realmente, nascer de novo. Ensinou Jesus a Nicodemos: “Na verdade, na verdade, te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

E depois? Ordenou Jesus: “Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim nem vós o podereis dar, se não permanecerdes em Mim” (João 15:4).

Permanecer em Cristo é manter comunhão com Ele através da oração, da leitura da Bíblia, e do gastar tempo com Ele. Eu tremo quando escrevo isto, porque sinto em mim mesmo como é difícil, com o tipo de vida dos tempos de hoje, reservar tempo para Deus. Gastamos tanto tempo com a obra do Senhor e tão pouco tempo com o Senhor da obra. Mas Jesus não deixou outra alternativa senão esta, de permanecer nEle. A comunhão com Deus através da oração e da meditação, é o segredo da vitória na vida cristã. Negligenciada a comunhão, a lei do deserto volta a atuar no coração, e as ervas daninhas do pecado o invadem novamente, devastando-o com a mornidão, a indiferença e a incredulidade.

Ah! Quantas almas preciosas que estiveram firmes na igreja, e que por anos foram exemplos de fidelidade, de entusiasmo e de serviço ao Mestre, e que, hoje, não mais seguem a Cristo! O que foi que aconteceu? Nada de misterioso. Apenas a ação devastadora da lei do deserto que, inexoravelmente, desola o solo do coração deixado a si mesmo, cujo cultivo foi negligenciado.

A. W. Tozer fala também sobre essa lei aplicando-a à igreja e à obra de evangelização. Diz ele: “O coração negligenciado logo será um coração infestado de pensamentos mundanos; a vida negligenciada logo se tornará um caos moral; a igreja não protegida zelosamente por vigorosa intercessão, não se demorará a tornar-se habitação de toda ave maligna e esconderijo de insuspeita corrupção. O deserto em avanço depressa dominará a igreja que confia em suas próprias forças e se esquece de vigiar e orar. A lei do deserto opera universalmente por todo o mundo decaído, no difícil campo missionário, como em terras mais abrigadas. É, pois, um erro crer que ficamos liberados de nossa obrigação missionária indo de lugar após lugar e proclamando o Evangelho sem lhe dar seguimento com ensino completo e cuidadosa organização da igreja. Entretanto, este erro está afetando enormes porções da igreja, levando pessoas fervorosas a procurar concluir a evangelização do mundo por este método de bater e pular fora. Fazer alguns conversos somente para deixá-los entregues aos seus próprios expedientes, sem cuidado adequado, é tão insensato como soltar um rebanho de cordeiros recém-nascidos em pleno deserto; é tão absurdo como limpar e semear um campo no coração da mata densa e deixá-lo à mercê da Natureza indisciplinada. Tudo isso seria um desperdício de esforço e não teria possibilidade de resultar em nenhum lucro real.

“Assim se dá com qualquer esforço espiritual que não leve em conta a fome do deserto. Os cordeiros têm que ser apascentados, ou serão mortos; o campo tem que ser cultivado, ou se perderá; as conquistas espirituais têm que ser mantidas pela vigilância e oração, ou elas também serão vítimas do inimigo” – A Raiz dos Justos, págs. 69 e 70.

Reavalie, pois, caro irmão, jovem ou adulto, a situação de sua vida à luz dessa lei inexorável, a lei do deserto. Reorganize seu tempo e suas prioridades tendo em vista a eternidade. O resto passa rapidamente.
Qual é mesmo o segredo? “Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós”. É Jesus quem promete. E Ele cumprirá. Agora, a palavra está com você.

 
 
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