Como vencer o desânimo

Tércio Sarli


Todos nós passamos por períodos de desânimo. Não há nada de excepcional nisso, mas se soubermos um pouco a respeito da origem e das causas desse estado de espírito, enfrenta-lo-emos com mais naturalidade. Numa universidade dos Estados Unidos, um grupo de estudantes foi submetido à observação sistemática por um psicólogo, e a conclusão foi de que o desanimo se repete em ciclos mais ou menos regulares para cada pessoa. De uma maneira ou de outra, a verdade é que esse abatimento moral aflige a todos com maior ou menor freqüência. Muitas vezes é apenas o resultado de um mau funcionamento orgânico, ou a deficiência de alguma das glândulas de secreção interna, tão importantes para nosso equilíbrio emocional. Pode acontecer também que, após um gasto excessivo de energia física, sintamos uma queda psíquica em conseqüência, ou após uma frustração qualquer ou uma perda de algo precioso para nós. Os motivos podem ser os mais variados, mais o resultado é essa nuvem de tristeza que nos envolve de tempos em tempos, até mesmo depois de alguma grande vitória, de um esforço excepcional, justamente quando o individuo antecipava alegria e satisfação como recompensa de seu trabalho.

Mas o que fazer com o desânimo?

Eis algumas sugestões que poderão ser úteis a quem passa por esses momentos de depressão:

1. Lembre-se de que esses períodos são normais na vida do ser humano, e que são passageiros. Quanto menos a gente se preocupar com eles, mais depressa eles passam.

2. Não tome nenhuma decisão importante enquanto estiver sob depressão. Espere por dias mais brilhantes, quando será mais fácil ver as coisas de maneira clara e positiva. Quando um dia amanhece frio e chuvoso, o que fazemos? Recolhemo-nos em casa, ou no escritório, e não nos aventuramos a sair pelas ruas ou pelos campos. Esperamos até que o sol volte a brilhar. Assim deverá ser com nossa vida interior.

3. Procure desenvolver um senso de bom humor. Não alimente a idéia de que você deve ser a palmatória do mundo, amargurando-se por tudo e por todos. O coração alegre serve de bom remédio, diz a Palavra de Deus.

4. Procure ocupar-se com atividades manuais que você aprecia, entremeadas com a leitura de um bom livro.

5. Aumente seu tempo de devoção particular, de meditação. Esses momentos com Deus são uma fonte incomparável de novas energias e novo ânimo. Não há frustração ou dor intima que não diminua após uma hora em contato com o Pai Celestial, em meditação e oração.

6. Se o desânimo é persistente, pode ser sintoma de alguma enfermidade. Nesse caso procure um médico de sua confiança.

7. Tenha fé em Deus. Confie em Sua graça e no Seu amor. Deus quer o nosso bem. Ele conhece a nossa estrutura e sabe de nossas fraquezas e de nossas necessidades. E Ele nos ama sempre, apesar das deficiências que temos.

Agora anote este bonito pensamento de Ellen White:

“Os poderes das trevas se adensam em torno da alma e excluem Jesus ao nosso olhar, e, por vezes, só nos é possível, em espanto e aflição, esperar até que as nuvens passem. São terríveis, por vezes, esses períodos. Parece falhar a esperança, e de nós apoderar-se o desânimo e o desespero. Nessas horas tremendas, precisamos aprender a confiar, a depender unicamente dos méritos da expiação, e, em toda a nossa importante indignidade, lançar-nos sobre os méritos do Salvador crucificado e ressurgido. Nunca pereceremos enquanto assim fizermos – nunca!”

Coragem e esperança, pois, mesmo nas horas escuras! Há sempre um bom motivo de agradecer a Deus, como esta prece de Valderez Álvares Freitas:

Eu Vos bendigo, ó Senhor meu Deus, por terdes feito um dia após o outro...
Assim, sempre e sempre virá a madrugada cantar na vossa misericórdia, a
esperança de viver.
Que importa que a noite tenha vindo.
Toda negra, sem ao menos trazer estrelas?
Que importa, se é depois do escuro que os meus olhos vêem mais,
percebem mais a claridade da Vossa perfeição e a maravilha do Vosso Amor?
Eu Vos bendigo, ó Senhor meu Deus, por terdes feito um dia após o outro, assim
com estas madrugadas lindas de esperanças!

 
 
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