No Jardim Com Jesus

Tercio Sarli


O hino 426 do Hinário Adventista, sob o título “No Jardim”, foi composto em 1912, letra e música, por C. Austin Miles. Esse belo poema descreve uma cena de meditação e oração em um lugar sossegado, rodeado pela natureza, aos primeiros raios do dia, assim como Jesus fazia constantemente em Seu ministério terrestre.

Austin compôs a letra desse hino inspirado no texto do Evangelho de João, capitulo 20, que descreve o encontro de Maria Madalena com Jesus, no horto, na manhã da ressurreição. O texto diz: “Tendo [Maria] dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser Ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se Tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, Lhe disse, em hebraico: Rabôni (que quer dizer Mestre). Recomendou-lhe Jesus: Não Me detenhas; porque ainda não subi para Meu Pai, mas vai ter com os Meus irmãos e dize-lhes: Subo para Meu Pai e vosso Pai, para Meu Deus e vosso Deus. Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que Ele lhe dissera estas coisas” (João 20:14-18).

Esse encontro com Jesus, em um lugar silencioso, na hora da meditação e da prece, pode repetir-se na experiência de cada crente. Na vida agitada de hoje, poucos gastam tempo para a comunhão com Deus. Mas é vital para a religião e para a vida cristã a hora diária de oração e meditação da Palavra. É quando reabastecemos as energias espirituais, indispensáveis para enfrentarmos as lutas, as tentações, as vicissitudes da vida. Vivemos no tempo do “ativismo”, nos meios religiosos. É a crença de que, pelas muitas atividades, tanto fora como dentro da igreja, Deus nos considerará aptos para o Reino. É o tipo da religião dos fariseus, nos dias de hoje. Eis o que diz Ellen White: “Na opinião dos rabinos, o mais alto grau de religião mostrava-se por contínua e ruidosa atividade. Dependiam de alguma prática exterior para mostrar sua superior piedade. Separavam assim sua alma de Deus, apoiando-se em presunção. O mesmo perigo existe ainda hoje. A medida que aumenta a atividade, e os homens são bem-sucedidos em realizar alguma obra para Deus, há risco de confiar em planos e métodos humanos. Vem a tendência de orar menos e ter menos fé. Como os discípulos, arriscamo-nos a perder de vista nossa dependência de deus, e fazer de nossa atividade um salvador.” – O Desejado de Todas as Nações, pág. 362.

Precisamos trabalhar arduamente pela salvação dos perdidos, socorrer os necessitados, cumprir nossos deveres da cada dia, mas todo trabalho, para ter valor perante Deus, precisa ser fruto da ligação com a Videira, Jesus Cristo.

É inspirador o exemplo de Jesus: “Numa vida toda dedicada ao bem dos outros, o Salvador achou necessário afastar-Se dos lugares movimentados e da multidão que O acompanhava, dia a dia. Precisava retirar-Se de uma vida de incessante atividade e contato com as necessidades humanas, para buscar sossego e ininterrupta comunhão com o Pai… Em comunhão com Deus, podia aliviar as dores que O esmagavam. Ali encontrava conforto e alegria… Mediante contínua comunhão recebia vida de Deus, de maneira a poder comunicar a vida ao mundo. Sua experiência deve ser a nossa” – Idem, págs. 362 e 363.

Esse é o conceito bíblico de vida cristã verdadeira. Exemplificada pelo próprio Senhor Jesus Cristo.

Abaixo está uma tradução do hino acima citado, “No Jardim”, que fizemos para você cantar em sua hora de comunhão, ou em outras ocasiões. É apenas uma tradução alternativa à bonita tradução que temos em nosso hinário.

Que as palavras desse belo hino possam inspirá-lo a esse maravilhoso encontro com Jesus, cada dia.

No Jardim

(HA, 426).
Na calma de um belo jardim,
Com orvalho ainda nas rosas,
Fico a meditar, e ouço de Jesus
Palavras mui formosas!
Coro
E Ele fala de Seu amor por mim,
Quanto fez pra me resgatar;
E que voltará, pra levar-me, enfim,
E com Ele sempre hei de estar.
Que voz tão maviosa e gentil!
Mesmo as aves ficam silentes;
E uma doce paz vem-me ao coração,
E eu sinto-me contente.
Da terna e feliz comunhão
Eu retorno às lutas da vida,
E com mais fervor, mais disposição
Pra persistir na lida.

(Tradução: T. Sarli).

 
 
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