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Oração e ação Tércio Sarli
As Escrituras nos ensinam que a sabedoria de Deus é loucura para os homens (I Cor. 2:14). Notem alguns exemplos bíblicos: Moisés, sobre o qual pesava a urgente responsabilidade de liberar o povo de Israel da escravidão egípcia, foi passar 40 anos no deserto, como pastor de ovelhas, para depois Deus o chamar para sua importante missão. “Que desperdício de tempo e talentos!”, diriam os homens. A Sra. White, escrevendo sobre essa época da vida de Moisés, comenta: “O homem teria dispensado aquele longo período de labuta e obscuridade, julgando-o uma grande perda de tempo. Mas a sabedoria infinita chamou aquele que se tornaria o dirigente de Seu povo, a passar 40 anos no humilde trabalho de pastor... Proveito algum que o ensino ou a cultura humana pudessem outorgar, poderia ser um substituto para esta experiência.”- Patriarcas e Profetas, pág. 247. O exemplo de Paulo nos ensina a mesma lição. O grande apóstolo encontrara-se com Deus no caminho de Damasco. Aceitou a religião de Cristo e recebeu a orientação de que deveria, agora, ser um pregador do evangelho aos gentios. Que grande e urgente responsabilidade! Aos olhos dos homens, devia ele imediatamente dedicar-se à realização de sua tarefa. Mas, em vez disso, retirou-se para o deserto da Arábia (Gal. 1:15-18), onde passou três anos em meditação e estudo das Escrituras. É ainda da pena de E. G. White esta observação:”Um mensageiro do Céu ordenou-lhe retirar-se por algum tempo; e ele foi’para a Arábia’, onde encontrou um refúgio seguro. Ali, na solitude do deserto, Paulo teve ampla oportunidade para sossegado estudo e meditação... Quando a mente de um homem é posta em comunhão com a mente de Deus, o finito com o infinito, o efeito sobre o corpo, a mente e a alma vai além do admissível. Em comunhão tal é encontrada a mais alta educação. É o método de desenvolvimento usado por Deus.”- Atos dos Apóstolos, pág. 125. Oração e ação não
são coisas contraditórias. Pelo contrário, elas
se contemplam. Mas a oração deve vir sempre em primeiro
lugar, pois, a ação sem oração, não
tem eficácia. O alicerce de um prédio é estabelecido
em primeiro lugar. Na construção de um navio, o casco,
a parte submersa, é feita antes. Na árvore, a raiz é
o que se desenvolve primeiro. Assim na vida cristã. Primeiro
deve vir a oração, a comunhão com Deus. Depois
vem a ação. Oração e trabalho devem, pois, ter lugar na proporção certa, na vida de cada cristão. Lutero teve a perspectiva correta sobre oração e ação quando escreveu: “Tenho estado tão atarefado ultimamente que, se não dedico quatro horas em oração pela manhã, não dou conta de realizar meus trabalhos todos no correr do dia.” E Ellen White nos adverte:”A medida que aumenta a atividade, e os homens são bem –sucedidos em realizar alguma obra para Deus, há risco de confiar em planos e métodos humanos. Vem a tendência de orar menos e ter menos fé. Como os discípulos, arriscamo-nos a perder de vista nossa dependência de Deus, e buscar fazer de nossa atividade um salvador. Necessitamos de olhar continuamente a Jesus, compreendendo que é o Seu poder que realiza a obra. Conquanto devamos trabalhar ativamente pela salvação dos perdidos, cumpre-nos também consagrar tempo à meditação, a oração e ao estudo da Palavra de Deus. Unicamente o trabalho realizado com muita oração e santificação pelos méritos de Cristo, demonstrar-se-á afinal haver sido eficaz.”- O Desejado de Todas as Nações, págs. 268 e 269. Busquemos pois na oração e na meditação o caminho para uma vida plena de alegria, paz e eficácia. |
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