Um Lugar de Refúgio

Floyd Rittenhouse

Quando completei dez anos, nossa família de sete membros incluía dois irmãos e duas irmãs, todos mais novos que eu. Nossa espaçosa cozinha, o lugar mais ocupado da casa, servia como uma dependência polivalente para toda a família. Nós nos amávamos uns aos outros afetuosamente, mas o barulho freqüentemente atingia tal altura que mamãe se refugiava em seu quarto a fim de ler ou costurar. E papai, ignorando a algazarra, tentava concentrar seus pensamentos em seus jornais.

A alguma distância atrás da casa, do outro lado do jardim, existia um recanto aberto, uma enorme planície ao longo de um riacho. Como criança eu gostava de explorar esta emaranhada mata em busca de flores exóticas e outras coisas interessantes. Lá atrás de uma enorme árvore velha, parcialmente arrancada, descobri um pequeno espaço aberto. Ali havia um caramanchão natural, circundado por salgueiros. Sem que os outros soubessem, assentei aí um rude piso de madeira velha e entrelacei galhos de trepadeira no alto, formando assim um pequeno e aconchegante recanto – meu lugar de refúgio.

Por vários anos este esconderijo permaneceu como meu segredo. Quando triste ou atribulado, eu me dirigia para lá para estar a sós, descansar no meu macio colchão de folhas secas, ouvir o bosque, e para atenuar as mágoas da infância. Recostado ali, eu solucionava muitos de meus pequenos problemas, construía fantásticos castelos no ar, e ponderava seriamente sobre o futuro desconhecido. Lá eu orava por perdão e pedia humildemente a direção divina.

Quão agradecido me sinto hoje, por haver encontrado tão cedo um tipo de santuário, um lugar quieto onde podia pensar a sós, para atender à voz da consciência, e comungar com Deus. Agora aquele esconderijo está muito distante e completamente perdido, exceto em minha memória. Décadas se passaram desde que eu obtinha conforto naquele rude refúgio. Mas a prática da solidão contemplativa, e a mútua comunhão com o divino têm perdurado através dos anos. Quando sobrevêm tempos difíceis, quando o desapontamento despedaça acalentadas esperanças, ou quando sentimentos de pesar me envolvem por oportunidades negligenciadas, onde quer que eu esteja, me volvo em espírito a meu lugar secreto e recebo o consolo de Deus, tal como acontecia muito tempo atrás.

Quando necessito de orientação especial gosto de recordar a significativa declaração da pena da Sra. E. G. White: “A comunhão com Deus comunica à alma um profundo conhecimento da Sua vontade”.– Testimonies, vol. 3, pág. 534.

Meditações Matinais, 1984, pág. 39

 
 
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